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Clube de Ciências em escola pública do Paraná transforma desperdício de alimentos em aprendizado e consciência ambiental

Foto: Crédito: SEED-PR

Fonte: Assessoria de Imprensa

Iniciativa Capivara’s Tech, do Colégio Estadual Brasílio Itiberê, em Maringá, mobiliza estudantes do Ensino Médio em Tempo Integral para pesquisa científica, práticas sustentáveis e reflexão sobre o uso consciente dos alimentos

No Colégio Estadual Brasílio Itiberê, de Ensino Médio em Tempo Integral, em Maringá (PR), a ciência faz parte do cotidiano escolar. Desde setembro de 2024, o Clube de Ciências Capivara’s Tech, selecionado pelo Programa Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, aproxima adolescentes do método científico, da tecnologia e da sustentabilidade. A iniciativa conta com o apoio da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED/PR), da Fundação Araucária e das universidades públicas do estado.

O projeto principal, intitulado Inovando e Criando com o Clube de Ciências na Escola de Tempo Integral, propõe, a cada semestre, um subprojeto temático alinhado à realidade da comunidade escolar e às observações feitas pelos próprios estudantes. As atividades acontecem em uma eletiva às quintas-feiras à tarde, sob coordenação da professora Maísa de Carvalho Iwazaki, com apoio de outros profissionais da instituição.

Um sonho antigo que virou Clube de Ciências e mudou o espaço da escola

A criação do Capivara’s Tech nasceu de um desejo que acompanhava a professora Maísa desde o início da carreira. “O sonho de toda professora de Ciências é criar um Clube de Ciências. Eu já sou formada há 20 anos e nunca tinha tido essa oportunidade”, conta.

Ao conhecer o edital da Fundação Araucária e da SEED/PR, ela decidiu inscrever a escola, enxergando ali a chance de aprofundar o contato dos estudantes com a ciência a partir de temas do cotidiano. “Escrevi o projeto e falei com a direção: ‘posso inscrever a nossa escola?’. A resposta foi positiva, e então pensei: o que podemos investigar a partir da realidade dessa escola?”, relembra.

O primeiro subprojeto do clube teve como foco a melhoria dos espaços de convivência, valorizando o tempo ampliado de permanência dos estudantes na escola. Usando madeira, pallets e materiais recicláveis, os jovens construíram bancos, sofás e mobiliário coletivo. “A ideia era pensar o uso dos espaços da escola de tempo integral de forma mais integrada ao dia a dia dos estudantes”, explica Maísa.

O trabalho levou o Capivara’s Tech a participar da Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI), em Curitiba. Durante três dias de exposição, os estudantes apresentaram o projeto dos pallets, competindo com 381 trabalhos de todo o estado. O grupo conquistou o 1º lugar na área de Ciências Humanas, recebendo troféu, medalhas e prêmios como celulares e tablets. Para os jovens, a experiência foi marcante pelas trocas, pelo contato com pesquisas de diferentes áreas e pela vivência em um ambiente científico ampliado. “Eles voltaram muito entusiasmados”, resume a professora.

Jovens transformam o cotidiano escolar em objeto de investigação científica

No semestre atual, o foco do clube passou a ser outro tema observado pelos próprios estudantes no dia a dia escolar: o uso e o aproveitamento dos alimentos no refeitório. “Eles disseram: ‘Professora, vamos pensar em outro tema’. A partir das observações deles, surgiu a proposta de estudar o desperdício de alimentos como um fenômeno que pode ser analisado cientificamente”, conta Maísa.

O grupo estruturou um novo projeto de pesquisa voltado à análise desse cenário, com foco em educação ambiental, responsabilidade social e consumo consciente. “Nós observamos a situação, levantamos hipóteses e agora estamos na fase de coleta. Seguimos o método científico à risca”, explica a professora.
Os 20 estudantes do Ensino Médio se organizaram por afinidade. Alguns realizam as pesagens e registros dos alimentos, enquanto outros analisam os dados e preparam materiais para apresentação em feiras científicas. “Quis que eles enxergassem isso nos dados, nas tabelas, para compreenderem o impacto e pensarem em soluções”, comenta Maísa.

Com o avanço da pesquisa, as análises passaram a envolver também a comunidade escolar, promovendo reflexões sobre o valor dos alimentos e a importância do consumo responsável. A partir dos resultados, o clube estuda a proposição de ações práticas, como ajustes nas porções, estratégias de organização do serviço e ampliação da compostagem, reforçando a escola como espaço de aprendizagem ativa. A partir dessa investigação, o grupo criou composteiras com garrafas PET para reaproveitar sobras de frutas e vegetais. “A utilização dessa composteira é para fazermos adubo”, explica o estudante Victor Selleri de Grande, de 17 anos.

Além da pesquisa, os jovens destacam o aprendizado coletivo. “Eu vejo essas atividades como uma oportunidade de aprendizado extra. A gente desenvolve habilidades sociais, responsabilidade e criatividade”, afirma Juan Pablo Juppe da Silva. Para João Victor Sampaio Chamarelli, o clube representa algo inédito: “Nunca tinha acontecido antes aqui no colégio um clube de ciências focado em melhorar o colégio como um todo. Eu gosto muito da ideia de tentar ajudar da maneira que eu posso”.

O projeto também fortalece o projeto de vida dos estudantes. “As habilidades que a gente está desenvolvendo nesse clube vão ser muito importantes para a nossa carreira profissional. Ele impulsiona bastante as nossas habilidades e pode nos permitir chegar ao mercado de trabalho mais preparados”, completa Victor.

Com o apoio financeiro da Fundação Araucária, o Capivara’s Tech adquiriu impressora 3D, tablets e um drone, que serão utilizados para aprimorar experimentos e registrar os resultados. “Estamos aprendendo juntos a usar esses equipamentos. Eles ampliam muito as possibilidades de pesquisa e de divulgação do que estamos fazendo”, celebra Maísa.

O Clube de Ciências Capivara’s Tech mostra, na prática, como o Ensino Médio em Tempo Integral pode potencializar experiências que unem ciência, tecnologia e sustentabilidade, promovendo o protagonismo estudantil e a formação integral.

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