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Estudante de Goiás cria fibra têxtil sustentável a partir do bagaço de cana

Fonte: Assessoria de Imprensa

Pesquisa desenvolvida no Centro de Ensino em Período Integral Osvaldo da Costa Meireles, escola pública de Ensino Médio em Tempo Integral, em Luziânia (GO) cria fibra sustentável com potencial para substituir materiais convencionais da indústria da moda

O bagaço da cana, resíduo abundante que costuma ser descartado em feiras e engenhos por todo o Brasil, ganhou um novo significado em uma escola pública de Luziânia (GO). Dentro do Centro de Ensino em Período Integral Osvaldo da Costa Meireles, a busca por soluções sustentáveis levou o estudante Thiago Alves dos Santos a investigar como a celulose extraída desse material poderia originar fibras biodegradáveis, capazes de reduzir impactos ambientais da indústria têxtil.

Thiago, de 18 anos, desenvolveu, no laboratório do CEPI, um protótipo de fibra têxtil leve e biodegradável a partir da cana-de-açúcar. A iniciativa surgiu quando ele participava de um projeto de produção de papel com folhas de pequi e decidiu aprofundar a investigação. “Eu comecei a ver que dava para fazer fibras têxteis com celulose”, conta. “Pensei em usar folhas de pequi ou outras matérias orgânicas, mas percebi que seria inviável pela quantidade e pelos impactos ambientais”. Foi então que encontrou no bagaço da cana uma matéria-prima acessível e alinhada ao contexto do Brasil.

A ideia tomou forma dentro da eletiva ministrada pela professora Gabrielle Rosa Silva, que incentivou o jovem a seguir pesquisando. “Eu achei a proposta ousada, mas promissora. Ele sempre teve vontade de ir para feiras científicas e precisava de um projeto forte e original”, explica. Ela descreve Thiago como determinado, curioso e disposto a experimentar. “O Thiago é muito ambicioso. Ele quer competir e quer ganhar. Ele trabalha muito para isso”.

Ciência aplicada no ambiente escolar

Ao longo das atividades da eletiva, o estudante realizou etapas de extração e preparo da celulose do bagaço da cana, transformando o material em uma solução viscosa capaz de gerar filamentos após um processo de coagulação. O resultado foram fios finos com características semelhantes às de fibras têxteis convencionais. “O material prensado lembra a seda. É leve e brilhante”, descreve.

O processo foi desenvolvido ao longo de 20 dias. O estudante estima que é possível realizar tudo em cerca de 15 horas. A cada quilo de bagaço, foram obtidas aproximadamente 450 gramas de fibra, o equivalente a cerca de três metros quadrados de material. Para avançar para a etapa de tecelagem ou prensagem em escala maior, Thiago avalia a necessidade de parcerias externas. “Por enquanto temos fiozinhos. Para virar tecido mesmo, precisaríamos de apoio industrial”, explica.

Um tecido do Brasil para o Brasil

A motivação do projeto está diretamente ligada aos impactos ambientais da indústria da moda, setor marcado pelo alto consumo de água, descarte de resíduos e liberação de microplásticos. “Quando a gente fala de roupa, fala de algo que todo mundo usa e existe um consumo exagerado. O Deserto do Atacama é basicamente um lixão de roupas. Isso é prejudicial porque os resíduos contaminam o solo, escorrem para rios e liberam microplásticos. Hoje já existem pesquisas que mostram microplásticos até no sangue humano”, afirma Thiago.

Para ele, o bagaço da cana se apresenta como uma alternativa alinhada ao contexto brasileiro. Diferentemente de fibras como o Lyocell, que dependem do cultivo de eucalipto, o bagaço já é amplamente disponível no país e se decompõe mais rapidamente se descartado de forma inadequada. “Mesmo se for descartado de forma errada, esse tecido se degrada em menos tempo e não libera microplásticos. Todo o processo é muito mais sustentável do que o dos tecidos que a gente comercializa hoje.”

A professora Gabrielle destaca que o projeto é autoral de Thiago e deverá ser encaminhado para patenteamento. O CEPI inscreveu o trabalho em feiras, como a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e em um evento nacional de bioinsumos na Bahia. Para Thiago, no entanto, o impacto maior é pessoal. “Esse projeto me mostrou o quanto a Biologia pode transformar a vida de uma pessoa. Me trouxe conhecimentos em Química, Física e sustentabilidade. Acho que me levou para uma realidade totalmente diferente do que eu era antes”, afirma.

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