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Projeto de leitura em escola pública do Pará leva estudante a publicar livro na Flip

Foto: Fonte: Agência Pará

Fonte: Assessoria de Imprensa

Iniciativa da Escola Estadual de Tempo Integral Irmã Dorothy Stang, em Jacundá, mobiliza mais de 90 alunos e já revela talentos literários que alcançam reconhecimento nacional

Aos 18 anos, Daniel Rodrigues transformou a rotina de leitura em uma trajetória literária que já alcança reconhecimento nacional. Estudante do 3º ano da Escola Estadual de Tempo Integral Irmã Dorothy Stang, em Jacundá (PA), ele encontrou no projeto Chá com Livros o espaço para aprofundar seu interesse pela literatura O Chá com Livros nasceu em 2024 como um projeto desenvolvido dentro da disciplina de Língua Portuguesa e, com o tempo, ganhou força ao se transformar em um clube de protagonismo estudantil: um dos pilares do Ensino Médio Integral, que garante aos jovens espaço para liderar atividades e aprofundar seus interesses. Foi nesse ambiente que Daniel passou a participar de concursos literários, conquistou prêmios e publicou sua primeira obra, Uma viagem ao Jardim dos Ecos, em agosto de 2025. No mesmo ano, teve o poema Coração da Terra selecionado para a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), consolidando um caminho que começou dentro da escola pública.

“O maior tempo de convivência com os estudantes permite acompanhar de perto suas descobertas e dar o estímulo necessário para que avancem. É esse vínculo que faz com que ações como o Chá com Livros se tornem transformadoras”, explica a professora de Língua Portuguesa, Luciana Noleto Borges, idealizadora da formação.

Leitura como prática coletiva

Já como clube de protagonismo, o Chá com Livros envolve atualmente cerca de 90 estudantes do 2º e 3º ano do Ensino Médio e se consolidou como um dos principais espaços de vivência cultural da escola. Mais do que um exercício individual, o programa promove encontros coletivos em que os jovens apresentam interpretações, organizam rodas de conversa e até experimentam linguagens artísticas para dialogar com as obras. Essa dinâmica estimulou também a produção autoral: resenhas, poemas e crônicas passaram a circular entre colegas e ganharam projeção em concursos e eventos externos. Com isso, o ato de ler deixou de ser apenas atividade de sala de aula para se tornar parte da identidade e do cotidiano dos participantes.

“Foi nesse processo que eu percebi que a literatura podia ocupar um lugar real na minha vida. O projeto me deu segurança para escrever e acreditar que o que eu produzia tinha valor”, conta o estudante Daniel, que atualmente é presidente do clube de leitura da escola.

Professores também protagonistas

A atuação da professora de Língua Portuguesa, Luciana Noleto Borges, foi além da sala de aula. Ao estruturar o Chá com Livros, ela passou a desenvolver práticas que dialogam com pesquisas acadêmicas sobre leitura e protagonismo juvenil, fortalecendo a escola como espaço de produção de conhecimento. Essa experiência rendeu desdobramentos fora da unidade de ensino: em 2025, Luciana participou como coautora do artigo Resiliência na Educação, lançado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, e vem apresentando o trabalho em seminários e encontros de educadores, levando a experiência de Jacundá para debates nacionais.

Para a professora, a principal conquista está na mudança de postura dos estudantes diante da prática literária. “Quando os jovens encontram sentido naquilo que leem, eles passam a enxergar os livros como ferramentas de expressão, identidade e futuro. Esse é o verdadeiro impacto que buscamos”, afirma.

Protagonismo que transforma

A trajetória de Daniel e dos colegas mostra como o ensino integral pode criar ambientes férteis para que ideias ganhem consistência e repercutam além da sala de aula. O Chá com Livros, que começou como um clube, hoje se tornou um espaço de experimentação cultural que envolve não apenas os estudantes, mas também professores e a comunidade escolar. A iniciativa abriu caminho para conquistas individuais, como prêmios e publicações, e para um movimento coletivo de valorização da leitura como prática de identidade e expressão.

A expectativa agora é de que a iniciativa siga crescendo, revele novos talentos e inspire outras escolas a adotarem propostas semelhantes. “Quando a gente acredita no potencial dos jovens e oferece tempo e condições para que eles explorem suas ideias, os resultados aparecem. Essa experiência educativa mostra que a escola pode, sim, ser um lugar de criação e de futuro”, reforça Luciana.

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